No dia 8 de maio, a Ucrânia, juntamente com o resto da Europa e do mundo, assinalará o 80.º aniversário da vitória sobre o nazismo.
Preservamos a memória da Segunda Guerra Mundial, que devastou cada família ucraniana. A linha da frente atravessou todo o nosso território duas vezes, e as perdas humanas totais do povo ucraniano ascendem a oito milhões de mortos: cinco milhões de civis e três milhões de militares.
Mais de seis milhões de ucranianos combateram nas fileiras do Exército Vermelho, centenas de milhares — nos movimentos de resistência e nas forças armadas dos países aliados da coligação anti-hitleriana.
Hoje, o povo ucraniano — um dos povos vencedores do nazismo, que pagou um preço terrível pela paz e pela liberdade na Europa — está a ser alvo de uma guerra cruel, não provocada e de conquista. No decurso desta agressão, os soldados russos cometeram centenas de milhares de crimes de guerra, mataram 620 pessoas e feriram quase 2 mil, deportaram pelo menos 20 mil crianças ucranianas.
Execuções de civis, valas comuns, violações, pilhagens, sequestro de civis como reféns, tortura e execução de prisioneiros de guerra, utilização de armas indiscriminadas, ataques a bairros residenciais densamente povoados, infraestruturas energéticas e civis — o exército russo cometeu e continua a cometer atrocidades na Ucrânia em escala nunca vista na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
É esse exército que irá desfilar no dia 9 de maio na Praça Vermelha, em Moscovo. Estas pessoas não são libertadores da Europa — são ocupantes e criminosos de guerra. Marchar ao lado deles é partilhar a responsabilidade pelo sangue de crianças ucranianas assassinadas, de civis e militares, e não prestar homenagem à vitória sobre o nazismo. A Rússia convida militares estrangeiros a participar no desfile de 9 de maio para branquear os seus crimes de guerra e justificar a sua agressão.
A participação de militares estrangeiros neste espetáculo é inaceitável e será considerada pela Ucrânia como uma afronta à memória da vitória sobre o nazismo, à memória dos milhões de veteranos ucranianos que libertaram o nosso país e toda a Europa há oito décadas.
Apelamos a todos os Estados estrangeiros para que se abstenham de permitir a participação dos seus militares no desfile de Moscovo a 9 de maio. Este apelo é particularmente relevante para os países que declaram uma posição de neutralidade face à agressão russa contra a Ucrânia ou que adotam uma posição neutra nas relações internacionais. A participação dos seus militares neste desfile violaria essa neutralidade declarada e seria vista como um apoio ao Estado agressor.
Apelamos a todos os Estados e organizações internacionais para que prestem uma homenagem digna às vítimas da Segunda Guerra Mundial e à vitória coletiva sobre o nazismo — uma homenagem que não sirva para justificar a agressão russa nem as suas atrocidades contra o povo ucraniano.