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A tragédia de Chornobyl
26 abril 2025 10:00

Há trinta e nove anos, no dia 26 de abril de 1986, aconteceu uma das maiores catástrofes nucleares provocadas pelo homem - o acidente na Central Nuclear de Chornobyl, no território da Ucrânia.

A explosão num dos reatores foi o resultado de um teste de resistência, que ignorou os protocolos básicos de segurança. Foi simulada uma perda de abastecimento da energia externa que alimentava o sistema para verificar se os sistemas de segurança funcionavam de forma correta. Manipulações sob instruções diretas de Moscovo causaram uma reação descontrolada, que levou à explosão, que atingiu o nível máximo de gravidade na escala oficial da Agência Internacional de Energia Atómica.

A negligência criminosa e a tentativa soviética de esconder a verdade, expôs milhões de pessoas à radiação. Em consequência da explosão, uma área de mais de 145 000 quilómetros quadrados foi contaminada com radionuclídeos. Foram afetadas cerca de 5.000 povoações na Ucrânia, Bielorrússia e Federação Russa, onde viviam cerca de 2,4 milhões de pessoas. Mais de 200 mil pessoas precisavam ser realocadas.

O impacto da catástrofe foi também sentido fora da região, nomeadamente na Suécia, Noruega, Polónia, Áustria, Suíça, Alemanha, Finlândia e no Reino Unido.

No dia 2 de maio de 1986, a então União Soviética declarou oficialmente a criação da Zona de Exclusão - uma zona de 10 km em torno da Central nuclear, posteriormente alargada para 30 km, que passou a ficar isolada para qualquer pessoa, exceto funcionários do governo e cientistas. Zona de Exclusão de Chernobyl conta com 2.700 km², e pode ser considerada como um dos lugares mais radioativos do mundo.

Depois da explosão, o prédio danificado do reator Nº 4 foi coberto por uma grande Estrutura de Abrigo, mas conhecida como "Sarcófago". O objetivo da estrutura era reduzir a dispersão dos restos de poeira e detritos radioativos dos destroços, limitando assim a contaminação radioativa e a proteção do local contra intempéries.

Em 1997, foi criado o Fundo Internacional de Proteção de Chernobyl para projetar e construir uma cobertura permanente do reator Nº 4. Mais de 810 milhões de euros foram angariados e o projeto foi gerido pelo Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD). A nova cobertura teve a sua construção iniciada no ano 2010. Ela é composta por um arco de metal de 105 metros de altura e 257 metros de comprimento. O “Arco” foi concluído no ano 2016.

As perdas económicas totais (diretas e indiretas) sofridas pela Ucrânia devido ao desastre de Chornobyl estão estimadas em dezenas de bilhões de dólares americanos.

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No dia 24 de fevereiro de 2022, a Rússia lançou uma guerra em grande escala contra a Ucrânia. Um dos primeiros locais ocupados pelas forças russas foi a central nuclear de Chornobyl. Começaram assim a chantagem e o terror nuclear do agressor.

Apesar da ocupação, o pessoal ucraniano da Zona de Exclusão assegurou o funcionamento ininterrupto dos principais sistemas e equipamentos, efetuou a manutenção técnica, respondeu a emergências e geriu os resíduos radioativos de forma segura. Os funcionários ucranianos preservaram os arquivos de dados essenciais, protegeram de pilhagens parte dos abastecimentos alimentares, organizaram a distribuição de alimentos para o pessoal e continuaram a proteger as infraestruturas críticas da Zona até ao fim da ocupação.

No dia 31 de março de 2022, as Forças Armadas da Ucrânia expulsaram as tropas russas da zona de exclusão de Chornobyl. Os danos causados pela ocupação russa da Central estima-se cerca de 100 milhões de euros.

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Os ataques a instalações nucleares civis na Ucrânia tornaram-se um elemento integrante da agressão militar russa. Pela primeira vez na história da humanidade, um Estado agressor tomou à força 2 centrais nucleares ucranianas - de Chornobyl e de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear na Europa.

Desde o início da invasão em grande escala, a Rússia militarizou as centrais nucleares ucranianas ocupadas, utilizando-as para fins militares e políticos. Os numerosos incidentes ocorridos nestas instalações - incluindo os bombardeamentos de infraestruturas nucleares pelas forças russas - representam uma grave ameaça para a segurança do continente europeu e global.

Um dos incidentes mais recentes ocorreu na noite de 13 para 14 de fevereiro de 2025, quando a Rússia lançou um drone de combate “Geran-2” contra a estrutura da cobertura na central nuclear de Chornobyl, que protege o reator Nº 4. O ataque do drone danificou os invólucros exterior e interior da estrutura do arco e comprometeu o equipamento do sistema da grua principal.

Em março de 2025, a equipa de monitoramento da Agência Internacional de Energia Atómica registou múltiplas explosões na central nuclear de Zaporizhzhia temporariamente ocupada. Um tanque de gasóleo que fornecia eletricidade aos geradores de emergência da central sofreu danos.

Isto marca uma escalada do terrorismo nuclear por parte da Rússia. A central nuclear de Zaporizhzhia deve ser devolvida ao controlo ucraniano, isto é a única garantia de segurança nuclear na Europa. Nenhum país tem o direito de chantagear o mundo com a ameaça de uma catástrofe radioativa. A segurança nuclear tem de ser restabelecida.

Contamos com o aumento da pressão internacional para assegurar a rápida libertação da central nuclear de Zaporizhzhia ocupada e o restabelecimento do pleno controlo da Ucrânia sobre todas as instalações nucleares civis dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas.


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